sábado, 5 de agosto de 2017

O Tornado

Muito antes do tornado chegar a bruxa antiga já o esperava. Analisando os animais (cordeiros), as nuvens e os ventos ela sabia que ele seria o maior de todos. Tinha um excelente abrigo que já havia resistido a tornados menores e agora fora reforçado. Avisou a todos que conhecia e teve recomendações especiais a quem ela havia acolhido para ser seu braço direito. Distribuiu tarefas preventivas para que quando tivessem que fechar a porta tudo estivesse pronto e todos fossem ajuda e não estorvo. Mas ele preferiu se divertir e gastar desnecessáriamente os mantimentos ao invés de ajudar. E como se não fosse bastante ainda criticava e atrapalhava os que trabalhavam. Já enxergando as nuvens carregadas no horizonte a bruxa mostrou-as para ele e disse que logo teria que fechar a porta e depois de fechada ela não mais se abriria, portanto ela lhe daria uma última chance para tornar-se útil ou procurar outro abrigo. Ele nem se deu ao trabalho de responder e mostrou-se mais irritante. Foi convidado a retirar-se para alívio de todos que com ela estavam, mas mesmo assim ela deu-lhe mantimentos para a viagem. Agora que ela fechou a porta e ele sente a força do tornado insiste para que ela abra a porta porque ele não tem onde ir. Só que ela aprendeu que não é responsável por quem pode cuidar de si mesmo e nem deve trazer para perto de si aqueles que não acrescentam. A fábula da cigarra e da formiga tornou-se metáfora.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vovó, vovozinha, vovozinka..


Eu achava que estava com a vida pronta e empacotada e todas as emoções já vividas. Mal sabia eu que a alegria maior estaria por vir, que o grande amor ainda estava a caminho. No dia em que recebi Valentína nos braços alguma coisa maior que tudo me inundou a alma, um amor transcendental, uma verdadeira epifania. A segunda revelação veio quando abracei o Lev e tive a mesma sensação. Diante disso todo o resto se acalmou e tudo foi justificado,  como se eu tivesse vivido apenas para chegar a esse momento.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Velhice

Por que a maioria dos idosos é mal-humorada ou triste? Muita gente pensa que a vida simplesmente azeda as pessoas, sem motivo aparente. Considero a velhice como a pior doença porque ela não pode ser evitada e traz em si tudo de ruim que pode acontecer ao ser humano e ninguém quando jovem tem noção exata do que ela significa. Começamos perdendo gradativamente tudo de melhor que temos em todos os níveis. Lá se vão as alegrias, os prazeres, os amores, substituidos por dores emocionais e físicas. Vamos nos tornando um fardo pesado para nós mesmos e para os outros, porque o ser humano não dá sem receber. Os bebês dão trabalho mas encantam os adultos com sua beleza e graça, mas os velhos não possuem nada disso. Podem contar com uma condescendência respeitosa e alguns gestos de carinho quando têm presentes a oferecer e herança a deixar. Mas fica clara a falta de amor e paciência. Algumas pessoas de sorte conseguem morrer antes de conhecer esse aspecto triste da vida, outros conseguem apagar a mente e se refugiar num passado feliz. Mas a maioria sofre a o castigo de alcançar uma idade avançada sem perder a lucidez. Triste sina não conseguir que seu corpo e sua mente permitam que a pessoa permaneça útil e não um móvel velho atrapalhando a passagem dos jovens.

domingo, 16 de outubro de 2016

Helenas

Sempre achei que o nome dá ao proprietário certas características. Quando era bem pequena e ainda não sabia nada de sexo, eu achava que as pessoas se casavam apenas para ficar perto das pessoas que amavam. Minha mãe conhecia uma moça chamada Helena, que eu considerava perfeita; por isso eu dizia a todos que queria casar com ela. Desde então percebo que tenho uma afinidade natural e especial com todas as Helenas, embora não queira mais casar com elas(rsrs). Pode ser que seja no primeiro ou no segundo nome, sendo Helena, a simpatia é instantânea e mútua.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Meu Momento

Sou despreparada pra muita coisa, mas duas eu sei bem: observar e analisar. Por um tempo andei por aí distraída, talvez acomodada. Um dia percebi que estava perdendo o riso, vi a criança indo embora e o tédio se instalando. Não aconteceu nada diferente e talvez aí estivesse a origem do problema. Estabeleci o prazo de uma semana para calar, observar e analisar. Só precisei de cinco dias para tudo se mostrar numa clareza absoluta e a partir daí remanejei algumas rotas, coloquei-me em primeiro plano e hoje tenho certeza que tudo está como deve.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Mulheres Objeto ou Abjetas?

Ontem fiquei na internet até bem tarde vendo o que acontece por aí. Fiquei triste e revoltada com grande parte das mulheres brasileiras. O novo modelo de mulher é a boneca sexual. Muito peito, muita bunda, coxas grossas, cintura fina e pouca cultura, para não ter profundidade de raciocínio e aprender a dizer não. Estão perfeitas para o padrão dos homens egoístas e vazios. Essas mulheres acham que corpo antinatural e sexo acrobático conquistam o amor. Não admitem que saem insatisfeitas, porque esse tipo de homem não se preocupa com a satisfação de suas parceiras, eles querem apenas sexo oral e anal bem feito, e, talvez levados pelos filmes pornográficos produzidos pela mesma qualidade de homens, acham que uma mulher desfalece de prazer diante do órgão sexual masculino e se for-lhes dada a honra de ter contato com ele será a glória das glórias. Homem de verdade não está nem aí pra detalhes anatômicos femininos como estrias, pouco peito ou pneuzinho, eles gostam do cheiro e do gosto de sua mulher, acham sempre que ela é a mais perfeita de todas e se preocupam se ela está feliz. Isso é amor, o resto é uma masturbação masculina mais prazerosa, já que estão conseguindo algo mais real que as bonecas infláveis.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

A História do Caroço de Manga Gigante ou Do Que Era Pra Ser Mas Não Foi

Um dia contratei uma empregada que eu não conhecia mas me foi recomendada. Para todos os efeitos vamos chamá-la de E. Do tipo que pode-se chamar de cheinha, mas nada fora do normal. Inclusive usava shorts jeans o tempo todo e camiseta. A família morava no interior e ela passou a viver em minha casa. Num belo dia ela ficou muito quieta e de vez em quando fazia uma expressão de dor. Preocupada, perguntei o que estava acontecendo e ela me disse que tinha tido malária e isso estragara o seu fígado, mas ela era louca por manga verde com sal e toda vez que ela comia tinha cólicas horríveis. Quis levá-la ao médico mas ela achou desnecessário e disse que elixir paregórico sempre resolvia. Comprei o tal do elixir e entreguei para ela. Nisso passou o dia e fomos dormir. De madrugada eu ouvi barulho na cozinha e fui ver se ela estava bem. Não estava. Disse que a dor estava muito forte e por isso estava tomando mais remédio. Por acaso percebi que a camisola dela estava toda molhada na parte de trás.  Apesar dos protestos dela falei que se vestisse rápido enquanto eu chamava meu marido para levá-la ao hospital. Acordei o coitado e ele argumentou  que poderia levá-la de manhã. Recusei terminantemente, praticamente derrubei-o da cama, alegando que a pobrezinha estava com tanta dor que tinha feito xixi na roupa. E lá se foram os dois. Fiquei acordada esperando e quando ele chegou pouco tempo depois, disse que o médico dissera que faria uma lavagem estomacal e não adiantava ele esperar, que voltasse no outro dia de manhã. Logo cedo derrubei o pobre homem da cama e lá se foi ele de novo para o hospital. Passado um tempo voltou sozinho, de olhos arregalados e me dizendo que E tinha expelido um caroço de manga de mais ou menos 50 centímetros.  Já entenderam o que aconteceu? Quando o médico se preparava para fazer a lavagem estomacal e pediu a ajuda de uma enfermeira, ela, enfermeira experiente, deu um sorriso e mandou que  E abrisse as pernas. Então mostrou para o médico atônito a cabeça de uma criança coroando. Acreditam que nasceu um menino de peso e comprimento normais? Este é apenas um exemplo das coisas malucas que acontecem na minha vida.

domingo, 17 de abril de 2016

Energia Negativa ou Vampiros Emocionais

Acredito em energia positiva e negativa. Acredito porque tenho muita sensibilidade e posso perceber cada uma delas. Da negativa tenho que me afastar porque não sei como blindar meu corpo e acabo absorvendo-as. Conheci a pouco tempo duas pessoas que sempre me passavam uma sensação de desconforto. Ao lado delas eu não brincava como faço normalmente, sentia que elas não gostavam de mim, por mais que tentasse agradá-las. Até então ocasionalmente eu sentia dores nas vértebras do pescoço. Quando comecei a conviver com essas pessoas mais intensamente,logo que as encontrava a dor aparecia e quanto mais tempo passasse mais aumentava e começou a descer pela coluna até atingir o cóccix. Tornou-se tão insuportável que a certo momento eu não aguentava mais e tinha que ir embora. Chegando em casa tomava um banho longo, um analgésico e só estão a dor passava. Com o tempo foi ficando tão forte que não passava no primeiro dia. E eu não associei a dor à presença delas, talvez porque tenha subestimado o poder da negatividade delas. Felizmente um dia houve um desentendimento entre nós, quando elas deixaram claro que eu era uma estranha no ninho. Desse dia em diante eu cortei qualquer relação com elas e dias depois acordei para o "milagre": minhas dores na coluna tinham desaparecido. Há vampiros sim, não é lenda. Só que são vampiros espirituais.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Valentina Rojková

Eu tinha sonhos grandiosos. Tão grandiosos que eu não os imaginava passíveis de acontecer e me contentava em tê-los apenas em minha imaginação. Um dia deixei de sonhar porque achava que até o tempo dos sonhos tinha acabado para mim. No dia 24 de dezembro de 2014 eu estava em Buenos Aires quando recebi uma ligação do outro lado do mundo e minha filha me dizia que estava grávida. Assim, como se joga uma bomba no colo de alguém. Na hora não me preocupei em saber a opinião do pai da criança, eu só queria aquele bebê com todas as minhas forças. Fiquei em transe absoluto até 1º de janeiro quando outro telefonema me avisou que ela tinha ficado noiva e que eles queriam se casar o mais rápido possível. Ainda como um autômato começamos a corrida de cartórios, ministérios e consulados e finalmente casaram-se em abril. Só então acreditei que metade de meu grande sonho já estava realizado pois minha filha estava grávida e casada com o rapaz mais maravilhoso que já conheci. Restavam agora as agonias e alegrias da gravidez. Cada mês passava com a morosidade de um ano e finalmente em 04 de setembro pude receber nos braços minha neta Valentína Rojková, a pessoinha mais maravilhosa que pode existir. Eu a amo tanto e estou tão feliz com minha familiazinha que tenho medo de acordar e descobrir que estava sonhando.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Na contramão

Tenho sempre a sensação de ser inadequada, por toda minha vida achei tudo que uma criança estranha pode achar: que era adotada, alienígena, alguém estranho no ninho. Até que descobri que aqui não era o mundo e a maioria das pessoas com quem sempre convivi  não o representava. Sei que muita gente me acha chata, outros prepotente. Eu também me acho às vezes e já derramei muitas lágrimas sonhando ser como os outros para viver contente, entrosada e não sofrer bullying. Já nasci filha única, quando isso era um fato raro; nunca gostei de sujar os pés ou as mãos, comecei a ler muito cedo e era o que mais amava fazer. Tenho alergia a picada de pernilongos, odeio sol quente ( me dá brotoejas), detesto fofocas, pessoas que se divertem à custa das outras, sempre achei errado pegar frutas de quintal alheio às escondidas, cumpro sempre o prometido e acho que um compromisso marcado para 8;00 hs não significa 8:01, muito menos 9:00 ou 10:00 hs. Acho que as leis devem ser respeitadas para organização da sociedade e a boa convivência.  Costumo mentir muito pouco e apenas nos casos necessários, por educação ou respeito. Não gosto de carnaval, de funk, de pagode ou se samba, detesto futebol. Não gosto de barulhos desnecessários, de pessoas que gostam de se intrometer na vida alheia, inclusive na intimidade. Sou apaixonada por gatos, principalmente os pretos. Gosto de momentos de solidão, para fazer as coisas que gosto ou para reflexão. Não acredito nos ditos livros sagrados, nem nos profetas e Deus para mim é apenas uma possibilidade totalmente distante e incompreensível, que, se existe, certamente não se intromete em nossas simples vidinhas. Não temo a morte, já que a considero tão ou mais natural que o nascimento. Apenas gostaria que ela fosse para mim o mais digna e indolor possível.Acredito que as coisas acontecem por acaso, mas principalmente pela interferência da maldade ou bondade humana. Amo e respeito meu corpo, por isso não sou a favor de nenhum tipo de droga. Gosto de ser livre, por isso não aceito dependências, nem mesmo das redes sociais. Mesmo sendo assim não significa que eu não respeite as pessoas que são diferentes de mim e que interfira na vida alheia. Mas o inverso não funciona, sempre querem me provar que estão certas e que eu devo mudar. Isso é impossível, eu cometeria uma violência enorme comigo mesma e tenho certeza que enlouqueceria. Mas andar na contramão tem uma consequência triste, a solidão intelectual, quando a gente não tem com quem compartilhar idéias e o que nos resta é o silêncio ou  um sorriso estúpido congelado no rosto.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Lembranças

Na fazenda de meus avós, chamada Centro, as rodas d'água eram responsáveis por grande parte da economia. Uma movimentava o monjolo, onde tirava-se a casca do arroz e socava-se o milho para fazer fubá e canjiquinha. Outra girava a moenda de cana para fazer a garapa e dela o açúcar e a rapadura. Fervia em enormes tachos de cobre e exalava um cheiro delicioso. Parte dela era usada para fazer a cachaça Centralina e muitas vezes trabalhadores eram encontrados ao lado dos alambiques totalmente bêbados de tanto experimentar. Eram expulsos imediatamente por minha avó Isabel, empregadora justa mas exigente. E tinha ainda a roda maior da madeireira, que acionava os enormes serrotes, mas seus dentes vorazes me amedrontavam e eu não me aproximava muito. Gostava mesmo era de "ajudar" um senhor de pele cor de carvão, descendente dos escravos da família que continuaram na fazenda depois da Lei Áurea e a quem eu chamava de compadre. Hoje percebo que minha cooperação não era tão valiosa quanto eu achava, pois enquanto ele carregava feixes de cana eu conseguia levar apenas o pedaço de uma. Mas conversávamos muito em nossa jornada de trabalho e ele contava-me histórias maravilhosas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Fé

Os líderes religiosos insistem num requisito essencial aos seus discípulos que é a fé. Ela tem tanta importância que deveria ser o primeiro mandamento de todas as religiões do mundo. E tem que ser inabalável, já que a dúvida ou a descrença são inaceitáveis. Se o religioso começa a questionar significa que abriu uma brecha para o mal e pecou seriamente contra seu deus. Provavelmente será castigado por isso, aqui na terra ou no fogo do inferno. As religiões são implacáveis com a falta de fé em seus pressupostos. E porque isso? Muito simples, a fé é a coluna de sustentação de todas as religiões, pois tudo aquilo que vai contra a lógica e o bom senso tem que ter um limbo para se justificar e esse limbo chama-se fé. Ali tudo pode ser colocado como verdadeiro e a pessoa não se sente idiota por acreditar, porque está escudado pela fé. Alguém disse que o questionamento não é o demônio nos tentando, é apenas nossa mente querendo nos libertar.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Finalmente Feliz

Depois de tanto tempo de postagens tristes e depressivas, hoje venho postar a felicidade plena. O ano de 2015 prometeu e tornou-se o mais feliz de minha vida. Em 10 de abril minha filha casou-se com um rapaz maravilhoso, o genro desejado por todas as mães de bom senso. No dia 04 de setembro nasceu a minha neta Valentína Rojková, uma menininha linda e de saúde perfeita. E para coroar, nasceu na cidade que mais amo, num país de contos de fadas. Venho de lá onde fui assistir ao nascimento e voltei morrendo de saudades, mas ao mesmo tempo felicíssima e tranquila com tudo que vi. Minha filha tem um marido amoroso, participativo ao extremo, e, se não bastasse possui duas gatinhas lindas, que completam o que verdadeiramente pode se chamar um lar. Tudo que eu mais desejava no mundo era a felicidade dela. Agora não tenho mais nada a querer, a não ser um resto de vida sereno. Estou muito feliz.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Duas Visões do Mesmo Fato

Um coração falou para um umbigo: "-Acho que você não me ama." O umbigo fez cara de desdém e respondeu: "-Como você é inseguro! acha que não merece ser amado por ninguém." "-Não querido, você não entendeu, o problema não é comigo, eu apenas acho que você não consegue amar ninguém."

domingo, 12 de julho de 2015

Colheita

Esta é uma lei que nunca aceitei. Até agora. As religiões me convenceram que basta plantar o bem para colher o bem. E eu me desesperava por colher tantos espinhos, uma seara imensa de joio. Não entendia porque vivia tentando seguir a trilha do bem e meus resultados eram quase sempre ruins. Se a lei era tão simples, por que comigo não dava certo? Eu me conheço melhor que ninguém, tenho discernimento para avaliar meus atos. Muitas pessoas corroboravam minha certeza de que meus atos eram bons e até se admiravam quando descobriam certas atitudes minhas. No entanto eu sofria mais do que seria lógico. Até que recentemente descobri que nunca me mostraram o outro lado e minha ignorância não me permitia entender que eu não poderia jamais saber o que é bom, simplesmente porque parecia ser. Entendi que a palavra chave é SABEDORIA. Imaginar que algum comportamento meu daria resultados bons era pura prepotência, pois uma bela embalagem necessariamente não traz um bom conteúdo, o doce que acho delicioso pode matar uma pessoa alérgica, o peso que consigo carregar com facilidade e alegria pode ser demasiado e desagradável para outro. Tomei atitudes que 99% das pessoas acham maravilhosas, mas que se mostraram prejudiciais a todos os envolvidos. Não dei a elas o direito de escolha, porque nunca me passou pela cabeça que haveria desdobramentos desagradáveis. Por isso cheguei à conclusão que é verdade, colhemos o que plantamos, mas isso não significa que tenhamos plantado o mal. As consequências são imprevisíveis, para os bons e maus atos. Só precisamos ter SABEDORIA para às vezes deixar de lado o que parece bom e  acatar o que parece ruim.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Felicidade, antes tarde do que nunca.

Quando eu era criança,  olhava para o futuro e tinha a felicidade como coisa certa. Depois comecei a achar que com boas ações, fé em deus, muita oração e planejamento, com certeza eu a teria. Como me enganei!  Desperdicei quase toda a minha vida nadando contra a maré, certa de que teria uma velhice tranquila ao lado do homem com quem me casei, cercada de filhas, genros e netos. Afinal eu tinha feito tudo certinho, achava que o fim seria uma consequência natural. Mas fui vendo tudo escorrer por entre meus dedos, por mais que eu tentasse não conseguia segurar. Fui perdendo tudo que eu achava essencial para minha felicidade, só restando eu e minha filha, nesse mundo tão grande. Nós duas havíamos nos despido de nossos sonhos e achávamos que agora que ela não acreditava mais e eu já anoitecia, tornava-se impossível qualquer coisa. De uma hora pra outra tudo virou do avesso e as coisas começaram a mudar. Parece que a vida resolveu me dar a experimentar o gosto da felicidade. Minha filha casou-se, me deu um filho como genro e está gestando uma netinha mais do que esperada. Demorei alguns meses para acreditar no que está acontecendo e ainda hoje me pego pensando que é tudo  parte de um sonho, mais uma peça que a vida está me pregando. Meu corpo não me castiga mais com inúmeras dores, nossa pequena família se ama muito, finalmente estou muito feliz. E o gosto dessa felicidade de raspa de tacho é a coisa mais deliciosa do mundo.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Respeitem a Agnóstica

Teísmo agnóstico é o ponto de vista filosófico, que engloba ambos, o teísmo e o agnosticismo. Um agnóstico teísta acredita na existência de pelo menos uma divindade, mas diz respeito à base desta proposição como "algo desconhecido ou inerentemente incognoscível".
Como cheguei ao agnosticismo: meus pais me levavam à Igreja Presbiteriana ao mesmo tempo que me colocaram num colégio católico. Pelo raciocínio lógico, muito precocemente vi a impossibilidade da existência de papai noel, então logo comecei a questionar os mitos religiosos. Quanto mais crescia e me informava, mais confirmava minhas idéias. Tentei seguir o rebanho e o que encontrei de mais aceitável em determinada época foi o espiritismo. Mas à medida que fazia cursos lá dentro (O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos e Mediunidade), mais percebia incoerências. Com a idade adquiri confiança suficiente para abraçar aquilo em que eu acredito: o teísmo agnóstico. Mas os outros não permitem que eu seja aquilo que acredito. Nunca tentei impor minhas idéias em conversas, prefiro me calar e até aceito convites para rituais religiosos, silencio quando ouço coisas que considero absurdas, comporto-me respeitosamente e da mesma forma aceito participar de orações. Mas a maioria das pessoas não aceita isso e começa a me questionar e tentar impor comportamentos. Tergiverso para não criar atritos, mas elas insistem, até que digo a verdade. Então o mundo cai e chovem acusações, olhares atravessados e até afastamentos. No entanto passo o tempo todo ouvindo as manifestações religiosas alheias e fico calada, respeito o estágio de cada um. Só quero que tentem entender que quando ouço ou leio certas coisas como uma adolescente virgem ser engravidada por um anjo, ou Deus fazer a mulher da costela de um homem, isso me soa tão sem sentido quanto uma criança me dizer que tem um bicho- papão dentro do guarda- roupas. Sou má por causa disso? Sou louca? Só quero e exijo que respeitem a minha crença.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Pequi

Sou absolutamente apaixonada por pequi, um fruto do cerrado. Quando encontro, como em quantidades absurdas, puro, com arroz, com frango...Meu prazer é visível e minha habilidade em roê-los é admirada, pois para quem não sabe, cada caroço contém grande quantidade de espinhos logo depois da polpa, que são extremamente dolorosos. Uma amiga fez um vídeo enquanto eu comia. Achei engraçado e posto aqui para quem quiser ver.https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=641465022633906&id=100003112427718. Rsrsrsrsrsrs...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Meu Filho

Se eu tivesse um filho, ele seria muito amado por todas as mulheres de sua vida. Até pela sogra ele seria. Porque desde pequenino eu ensinaria a ele a honra de nascer, ser educado, criado e amado por essas criaturas angelicais, repletas de abnegação, ternura e altruísmo. Eu o ensinaria que embora donas de uma força descomunal elas são frágeis. Eu o ensinaria a protegê-las e amá-las muito, a estar atento a seus sofrimentos físicos e emocionais, a tratar suas feridas e fraquezas com carinho e compreensão. Eu o ensinaria a respeitá-las acima de tudo e lhe diria que nunca, nem mesmo a mulher mais degradada socialmente, poderia ser  chamasse de louca, de idiota, ser mandada calar a boca com grosseria e olhos de inimigo raivoso. Se eu tivesse um filho ele seria o homem mais feliz do mundo, porque mulheres são assim; dão muito quando pouco recebem e dão o paraíso a quem as ama de verdade.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Fobia de Vestido de Noiva

Diz a lenda que toda menina ou moça sonha em casar-se vestida de noiva. Não eu. Na minha época e no meu meio era obrigatório, o que me levou a pensar seriamente em ficar solteira para sempre, só para evitar o ritual do casamento religioso. Pensar em entrar numa igreja cheia, com todos os olhares voltados para mim, de sapato de salto, vestido comprido, fantasiada, causava-me pesadelos. Tinha certeza absoluta que ia tropeçar no salto, me enroscar na barra do vestido, cair estatelada no centro da passarela e ainda quebrar o nariz. Transpirava só em pensar. Não sei se já contei aqui, mas meu falecido marido me pediu em casamento sem que fôssemos namorados. Antes de considerar o inusitado da situação, perguntei logo se ele fazia questão de casamento religioso. Ele disse que pelo contrário, achava a situação estressante e ficaria feliz em casar só no civil. Nessa hora eu tirei milhares de anos de peso das costas e disse sim.